Amazônia: desmatamento em contraste ao desenvolvimento

Das florestas tropicais do mundo, 30% encontram-se em território brasileiro, mas só no ano de 2019 o Brasil foi responsável por 36% de todo o território de florestas tropicais perdidas no mundo inteiro, de acordo com o relatório do Global Forest Watch. Foram perdidos 3,8 milhões de hectares de florestas primárias tropicais entre janeiro e dezembro do referido ano, dos quais 1.361.000 hectares pertenciam a florestas brasileiras, sendo 95% das florestas perdidas no território nacional localizadas na Amazônia.

Além da questão puramente ecológica, a Amazônia enfrenta um aumento na violência e na criminalidade em geral, graças à falta de fiscalização na região.

Toda essa situação, embora desencorajadora, está longe de ser irreversível, especialmente considerando as próprias potências existentes na região. É possível sim reverter o quadro atual, através de estratégias articuladas que tragam os olhares e investimentos para a floresta, seus recursos renováveis e sua população.

Leia também:

O reflorestamento deve ser o ponto de partida, a primeira estratégia. Pode parecer um passo grande demais, mas é importante lembrar que o Brasil já possui métodos baratos e efetivos para controlar o desmatamento, como a criação de áreas de proteção e preservação ambiental, o monitoramento via satélite e a existência de sanções para violações das leis ambientais. Esses mecanismos já mostraram sua funcionalidade, sobretudo entre 2004 e 2012, quando as taxas de desmatamento foram reduzidas em 80%. É possível voltar a utilizá-los com efetividade e ter resultados tão promissores quanto os desse passado tão próximo, inclusive quanto à redução de crimes e violência relacionados com a destruição da floresta.

Ademais, 90% das áreas desmatadas estão abandonadas ou subutilizadas, ou seja, são candidatas ideais não só para o reflorestamento, mas também para o desenvolvimento do agronegócio, sem que seja necessário desflorestar quaisquer outras regiões. Essa área pode ainda ser usada na produção de madeira reflorestada para a indústria de celulose e afins.

Estudos do Amazônia 2030 mostram que simplesmente reduzir e acabar com o desmatamento – seja ele ilegal ou não – na Amazônia até o ano de 2031 se mostra como uma oportunidade não só saudável e desejável sob a ótica da biodiversidade e da redução das mudanças climáticas, mas também sob a perspectiva financeira de, no mínimo, US$ 18,2 bilhões, até 2031, tendo em vista o potencial de gerar receitas nos mercados de carbonos voluntários, considerando o preço mínimo por tonelada de CO2 garantido pela Coalizão LEAF. O estudo aponta a possibilidade de o preço por tonelada de CO2 aumentar, de forma que essa receita obtida com o fim dos desmatamentos pode ser ainda maior. Salve a Amazônia e melhore a economia.

Há ainda as oportunidades trazidas pelo um crescente mercado global de produtos florestais sustentáveis, compatíveis com a floresta Amazônica, no qual a participação brasileira ainda é tímida, se comparada com o potencial existente, considerando que o país está atrás de outras nações com economias menores e grau de desenvolvimento tecnológico similar ou mesmo menor (como Vietnã, Costa do Marfim, Costa Rica, Bolívia e Equador). Segundo dados obtidos no período entre 2017 e 2019, mesmo o Brasil tendo cerca de 30% das florestas tropicais do mundo, sua participação nesse mercado de produtos das florestas – como abacaxi fresco, cacau, peixes, castanhas, pimenta do reino, óleo de dendê, palmito, etc – corresponde a apenas 0,17%, gerando receita anual de R$ 1,5 bilhão, mas que poderia ser de mais de R$ 10 bilhões, se correspondesse à proporção da participação brasileira no mercado global de exportações em outras áreas. Aproveitar esse mercado de forma mais ampla ainda gerará mais aberturas no mercado de trabalho a ele relacionado, são duas oportunidades incluídas em uma: salve a Amazônia e consiga um emprego.

Além disso, a região possui um ótimo potencial demográfico, sendo sua população composta majoritariamente por pessoas com idade entre 15 e 64 anos, isto é, a maioria da população da região é de pessoas economicamente ativas. Esse potencial, como os demais já referidos, não é aproveitado ao máximo, havendo poucas oportunidades de empregos e, ainda mais, de salários dignos. Para que essa situação se modifique, é necessário investimentos em educação de qualidade, transporte, infraestrutura e tecnologia para o povo que vive na Amazônia – táticas, sempre aliadas à tecnologia, que se mostraram eficazes na melhoria na qualidade de vida e de empregos para os povos de outras regiões semelhantes.

Através desses exemplos, é fácil notar a importância de um voto consciente em candidatos com agendas verdes, especialmente quando se considera que muitos problemas enfrentados atualmente seriam muito menores ou até inexistentes caso a floresta fosse preservada: seja por seu potencial no combate ao aquecimento global e suas consequências (com a redução dos gases de efeito estufa), seja com o imensurável potencial capaz alavancar o Brasil rumo ao topo dos rankings de exportação de produtos da floresta, seja com a geração de empregos, seja com a diminuição da violência que aumenta cada vez mais com a falta de fiscalização na região.

Gostou deste artigo? Compartilhe

Compartilhar no Facebook
Share on Twitter
Share on Linkdin
Share on Pinterest
Email
WhatsApp

Postagens Recentes

Deixe um comentário