As cinco oportunidades econômicas para a Amazônia

Vista aérea da Praia de Ponta Negra, em Manaus [Foto: Depositphotos]

Apesar do quadro negativo de desmatamento da Amazônia, há novas oportunidades para atividades econômicas que podem transformar os desafios da região em soluções para o desenvolvimento sustentável. Existem pelo menos cinco caminhos possíveis:

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Conservação

A redução do desmatamento, além de vantajosa e estratégica para o Brasil, pode atrair novos fluxos de investimento para a Amazônia, como as oportunidades apresentadas pelos mercados de carbono.

Um exemplo é a Coalizão LEAF, que oferece pagamento pela redução das emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+) em nível nacional e subnacional. De acordo com a LEAF, acabar com o desmatamento na Amazônia brasileira até o final desta década poderia gerar até 18,2 bilhões de dólares (por meio dos mercados de carbono, a um preço mínimo de 10 dólares por tonelada de CO2). Se os preços subirem para 15 dólares por tonelada de CO2, a captação pode chegar a 26 bilhões de dólares.

Restauração Florestal

O segundo caminho é investir na restauração com espécies nativas para reconstruir a floresta original. Isso é diferente do chamado reflorestamento, o qual consiste no plantio de espécies exóticas, como o eucalipto.

Há duas maneiras de fazer a restauração: plantando ativamente mudas de árvores de espécies nativas em áreas desmatadas ou aproveitando a regeneração natural em áreas desmatadas que foram abandonadas e estão em lento processo de regeneração. A Amazônia Legal possui uma grande área para a restauração, uma vez que cerca de 15 milhões de hectares da região estão atualmente desmatados e abandonados, sem qualquer uso agropecuário. Esses 15 milhões de hectares (área equivalente ao território do Estado do Ceará) são as principais áreas candidatas à restauração florestal.

Um estudo recente do projeto Amazônia 2030 revelou que, desse total, há 7,2 milhões de hectares com mais de seis anos em processo de regeneração natural e, portanto, no processo de sucessão ecológica para voltar a ser uma floresta.

Com investimentos relativamente modestos é possível garantir a restauração florestal e receber pagamento pela captura de carbono. Do lado da demanda, há também um mercado lucrativo e crescente de captura de carbono por meio da restauração florestal.

Produtos da Floresta

O terceiro caminho é aumentar as exportações de produtos compatíveis com a floresta (açaí, frutas tropicais, peixes, castanha-do-pará) e de produtos agroflorestais, por exemplo, o cacau e a pimenta-do-reino. Esses produtos são praticamente exclusivos de zonas tropicais. A Amazônia Legal – que representa um terço das florestas tropicais do mundo – deveria ter uma fatia expressiva desse mercado.

Porém, atualmente, a participação da Amazônia Legal é ínfima (0,2%, ou US$ 300 milhões/ano) em um mercado global enorme, que vale mais de 177 bilhões de dólares por ano e que está em franca expansão.

Produtividade Agropecuária

Existem ainda oportunidades para aproveitar melhor as áreas já desmatadas. Essa imensa área de 84 a 86 milhões de hectares já desmatada pode abrigar toda a demanda projetada pelo governo brasileiro para a produção agropecuária até 2030. E ainda sobrariam áreas para outros usos, sobretudo para o promissor mercado de restauração florestal (plantio de árvores nativas em áreas desmatadas para recuperar a floresta original). Deve-se concentrar esforços para aproveitar melhor essas áreas com o aumento da produtividade por meio da adoção das melhores práticas agrícolas.

Do total de 86 milhões de hectares desmatados, a pecuária ocupa 63 milhões de hectares – ou 73% do total. A segunda maior porção das áreas desmatadas – 15 milhões de hectares – é uma vegetação secundária que surge depois do abandono ou degradação dessas áreas pela pecuária extensiva.

A agricultura e o reflorestamento (plantio comercial de espécies exóticas como o eucalipto) ocupam áreas menores, respectivamente 7 milhões e 300 mil hectares. A escolha agora é o que fazer com a imensa área desmatada que está atualmente ocupada por pastagens de baixa produtividade.

Sem ganho de produtividade da pecuária, a demanda adicional de carne e produtos agrícolas pode aumentar o desmatamento em cerca de 13 milhões de hectares, o que agravaria ainda mais os riscos climáticos e socioeconômicos para o Brasil.

Por outro lado, é factível aumentar a produtividade da pecuária para atender as demandas projetadas de produtos agropecuários até 2030 e ainda sobrariam 37 milhões de hectares de áreas já desmatadas.

Esta área excedente poderia ser usada para aumentar a produção de produtos compatíveis com a floresta (por exemplo, o cacau em sistemas agroflorestais) e para a restauração florestal, suprindo, dessa forma, o crescente mercado de crédito de carbono – ou seja, plantar árvores que absorvem o carbono da atmosfera.

Cidades

Por último, a principal demanda das pessoas que vivem na Amazônia é por emprego. Os amazônidas estão deixando a região por falta de oportunidades de trabalho. Portanto, é preciso investir no local para acelerar o crescimento das ofertas de emprego para essas pessoas.

Pesquisas indicam que os setores que mais geram empregos de qualidade e oferecem oportunidades para elevar o padrão de vida estão nas cidades, distantes das áreas de atividade agropecuária. Por isso, a infraestrutura urbana e a educação profissionalizante devem ser prioridades para o direcionamento de recursos públicos.

A Amazônia Legal é mais isolada economicamente que o restante do Brasil. Diante desse cenário, reduzir esse distanciamento e melhorar as conexões econômicas entre a região e o restante do mundo é fundamental para dinamizar a economia gerando empregos e renda para a população local. Tradicionalmente, investimentos em logística e, em especial, em rodovias são a aposta para melhorar a acessibilidade de regiões isoladas. Porém, o custo ambiental, social e até econômico dessa tática é inviável. Uma solução é investir na infraestrutura de internet banda larga para melhorar a acessibilidade na Amazônia.

A expansão do acesso à telefonia e internet de alta velocidade é estratégica para a Amazônia por duas razões. Primeiro, as telecomunicações permitem ampliar a comunicação sem trazer os riscos socioambientais associados aos investimentos em logística tradicional (aberturas de estradas). Segundo, a infraestrutura de banda larga tem o potencial de aumentar as oportunidades de renda e emprego para os trabalhadores e empreendedores locais, como já foi demonstrado em outras regiões.

Com informações do projeto Amazônia 2030

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