Projeções pelo Brasil chamam atenção para a importância de proteger a Amazônia

Projeção na Praça Roosevelt, em São Paulo

Votar pela Amazônia é votar pelo desenvolvimento do Brasil”. Essa foi uma das frases projetadas em um dos maiores prédios da Praça Roosevelt, situada na região central de São Paulo, na noite da última sexta-feira (21.10). A ação, que deu destaque para outras frases, como “Ter comida no prato depende da Amazônia” e “Salvar a Amazônia gera emprego”, faz parte da campanha Amazônia no Centro, cujo objetivo é colocar o bioma que abriga a maior floresta tropical do mundo no cerne dos debates eleitorais, a fim de ressaltar a importância da Amazônia em todas as suas esferas. A iniciativa também foi realizada em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e contou com o apoio do projeto Projetemos, rede nacional de projecionistas livres.

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O coordenador da campanha, Alexandre Mansur, diretor de projetos do Instituto O Mundo Que Queremos, explica que o intuito tem sido trazer a Amazônia para o centro da discussão política das eleições de 2022, especialmente na reta final deste segundo turno. “Esse movimento é crucial para que milhares de oportunidades sejam vistas e aproveitadas, gerando riqueza sem destruição em harmonia com a floresta. Acreditamos que as oportunidades de investimento responsáveis e de baixo impacto ambiental são inúmeras e podem colocar o Brasil de volta em uma posição de destaque no cenário internacional”, afirma.

Neste sentido, vale lembrar que o Brasil já teve destaque internacional em questões de preservação ambiental, especialmente com a recuperação de áreas perdidas da floresta amazônica, entre os anos de 2004 e 2012. Contudo, segundo dados presentes em pesquisa ligada ao projeto Amazônia 2030, hoje 20% da floresta encontra-se degradada. Só neste ano, já foram desmatados 9.069 km², o equivalente a quase oito vezes a cidade do Rio de Janeiro. Essa é a maior taxa de desmatamento dos últimos 15 anos, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Há três meses, Rick Brandão, de 24 anos, deixou Belém (PA) para estudar teatro em São Paulo, mas diz que é impossível se esquecer dos impactos do desmatamento na região. “Para quem é da Amazônia, como eu sou, é nítida a diferença em relação a dez anos atrás. O que vemos hoje nos entristece profundamente porque a diferença está nos rios, no ar e até nos animais que antes víamos mais e, hoje, não vemos tanto. As queimadas afetam muito a vida das pessoas, a fumaça do Norte chega à capital e a cidade fica com uma massa de ar carregada. É muito doloroso, porque vemos que é resultado da própria ação do homem que está causando tanta destruição”, contou o estudante, que estava na Praça Roosevelt com amigos.

Para Thiago Costa, de 34 anos, pensar na Amazônia é pensar nas belezas naturais da floresta, mas também na destruição em curso do bioma, especialmente durante o atual governo que, segundo ele, tem sido prejudicial ao meio ambiente. “Nosso futuro está em jogo. A destruição da Amazônia coloca em risco a produção de chuvas e a água que as árvores colocam na atmosfera geram os rios voadores. Eu sei que é desafiador explicar essa importância para quem vive em cidades longe da floresta, como aqui em São Paulo, mas é fundamental, porque está tudo ligado”, diz.

Ele conta, ainda, que trabalha com Tecnologia da Informação e teve a oportunidade de conhecer países que entendem o valor do patrimônio natural para o seu desenvolvimento econômico. “A Nova Zelândia, por exemplo, pensa ao contrário do Brasil. Primeiro, eles conservam a natureza e depois ganham dinheiro com ela. Todo o patrimônio natural deles é atração turística. Gera empregos e renda, movimenta a economia. Imagina qual seria o nosso potencial com a riqueza natural que temos”, completa Thiago.

Projeções também foram realizadas em Brasília

A atriz Samira Lochter, de 39 anos, lembra que a Amazônia é ancestralidade, sabedoria e diversidade de povos. “A floresta nos dá essas riquezas. A destruição é do homem. A Amazônia não está longe da gente. A farmácia lá na esquina só existe porque tivemos medicamentos e ervas medicinais e conhecimentos ancestrais da floresta, porque os povos originais tinham sabedoria que os homens brancos pesquisaram. Isso sem falar no valor da floresta para a manutenção do clima e do nosso ar. Tudo isso é da Amazônia”, enfatiza.

Para ela, no entanto, é difícil argumentar sobre a importância da Amazônia com quem mora nas cidades. “Acho que um caminho é pela afetividade. Lembrar que cuidar da Amazônia é cuidar dos povos antigos. Lembrar que sua avó fazia um chá curativo quando você ficava doente. O conhecimento dela foi herdado de povos da floresta. Essa é a conexão. Resgatar a Amazônia é resgatar isso. Esse conhecimento antigo como as árvores milenares que ainda resistem lá. Muitas religiões hoje não têm mais conexão com a natureza. Nelas, as pessoas buscam uma passagem para outro plano, um paraíso distante da terra. Já as religiões de matrizes africana e indígena têm essa ligação. A floresta é a morada das divindades. O sagrado está lá. E a gente precisa ter afeto com esse sagrado”.

Marcelo Maita, de 39 anos, que também viu as projeções, defende que a floresta está sendo destruída por falta de políticas públicas que garantam a sua preservação e, também, pelo desmonte em órgãos de proteção ao meio ambiente. “Estão destruindo a floresta porque não temos demarcação de terras indígenas, estão passando a boiada, literalmente, e a gente está acabando com a Amazônia. Acho que todo mundo é culpado por isso, infelizmente, no sentido de que todos nós temos um papel a cumprir”, analisa.

Para ele, o caminho para mudar o atual cenário é o fortalecimento dos órgãos ligados à floresta. “Temos que trocar o governo, que desaparelhou todos os órgãos de defesa da Amazônia, o que já era pouco. No passado, tivemos governos que se preocupavam com a Amazônia, mas mesmo assim não era suficiente e nos últimos quatro anos piorou. Acredito que o próximo governo que entrar terá que estar muito empenhado em reaparelhar os órgãos públicos. Mesmo assim, será muito difícil, mas será um recomeço”, acredita o analista de marketing.

O estudante Rick Brandão acrescenta que, para mudar essa situação, falta sensibilidade das pessoas, de modo geral, e do poder público. “Faltam políticas públicas para preservação da floresta e um olhar não só de quem quer ganhar dinheiro em cima, porque a floresta em pé dá muito mais dinheiro do que destruída. Se acabar, acabou, não tem outra Amazônia”, alerta o jovem.

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