Dia da Árvore: celebrar (e ganhar dinheiro!) só é possível com a floresta em pé

Foto: Depositphotos

Acabar com o desmatamento na Amazônia brasileira até 2031 pode gerar receitas de mais de US$18 bilhões em 10 anos. Ou seja, não é mais preciso derrubar nenhuma árvore para que o país se desenvolva e continue gerando oportunidades de desenvolvimento para a região.

Um dos estudos realizados pelo projeto Amazônia 2030, iniciativa de pesquisadores brasileiros que tem o objetivo de apresentar um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, destaca que a Coalizão Leaf (Lowering Emissions by Accelerating Forest Finance) garante um preço mínimo de 10 dólares por tonelada de CO2, valor que tem potencial para ser ainda maior.

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A Coalizão Leaf foi lançada em 2021 pelos governos da Noruega, Estados Unidos e Reino Unido em parceria com um grupo de grandes empresas privadas. A ideia é fornecer pagamentos baseados em resultados para créditos de Redução das Emissões de Carbono Provenientes do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) de alta integridade ambiental e social, em escalas “jurisdicionais” nacionais ou subnacionais de grande porte.

E os preços podem aumentar, pois existe a possibilidade de geração adicional de créditos por meio da restauração florestal (remoções de carbono). Se os valores subirem para US$15 por tonelada de CO2, no período entre 2027 e 2031, as receitas podem chegar a US$26 bilhões.

Produtos compatíveis com a floresta

As oportunidades vão além. A Amazônia possui cerca de 60 produtos compatíveis com a floresta, ou seja, que são vetores para a conservação de florestas nativas, recuperação de áreas degradadas, inclusão econômica dos povos da floresta e para a criação de bons empregos. Dentre estes produtos estão a castanha-do-brasil, pimenta-do-reino, manga, o cacau, dendê e o abacaxi.

A região tem capacidade instalada e empreendedores que conseguem competir com sucesso no mercado internacional. A prova disso está nos números: por ano, a exportação de produtos compatíveis com a floresta traz uma receita de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para as empresas sediadas na Amazônia Legal.

Contudo, quando essas exportações são comparadas ao contexto global, representam somente 0,18% do mercado total correspondente, por onde circulam cerca de R$ 795 bilhões (US$159 bilhões) ao ano. A pequena participação da Amazônia indica que o país está perdendo a chance de produzir e lucrar sem que nenhuma árvore precise ser derrubada.

Se priorizados, os produtos compatíveis podem render anualmente mais de R$10 bilhões para a Amazônia em exportações, sem considerar o mercado doméstico. Portanto, não trata-se de suprir ingredientes que estão faltando, mas de criar os estímulos necessários para que os recursos existentes sejam mobilizados em prol do desenvolvimento. Manter a floresta em pé já é um começo!

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