Amazônia legal, um cenário hostil

O mês de junho sediou o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips (The Guardian), que foram brutalmente assassinados. Os dois faziam parte de uma missão investigativa no Vale do Javari, território indígena localizado nos municípios de Atalaia do Norte e Guarajá, oeste do estado do Amazonas.

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Esse fato lamentável escancara o quanto a missão de investigar as nuances da região se tornou um labor ainda mais perigoso nos últimos anos. Os constantes crimes que ocorrem na localidade são frutos do descaso e ausência do suporte público. 

Nesse contexto, a violência na região se tornou uma construção impiedosa ao longo do tempo. Alguns aspectos como a atuação desenfreada dos posseiros, garimpo ilegal, madeireiras ilegais, utilização de rotas para o narcotráfico e outros acontecimentos nesse sentido alavancaram o cenário de criminalidade. 

Corroborando com esse indicativo, o relatório divulgado pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), evidenciou que os estados da Amazônia Legal foram cenário de 28 assassinatos em decorrência dos conflitos no campo em 2021. O dado representa uma porcentagem perversa, isto é, 80% do total de mortes por disputa pelo domínio de terras em todo o país. 

Além disso, o enfraquecimento de instituições que visam a proteção de terras e áreas de preservação no país impulsionam esses conflitos. Ao exemplo disso, já anunciado no artigo “Funai Desvirtuada” publicado na Folha, o desmonte e invalidação de órgãos como a Funai frente ao país, incentiva em vários graus o apelo à violência.  Desse modo, se não houverem intervenções válidas do poder público em relação à conjuntura imposta, a tendência é que os números de transgressões aumentem.  

Sob tal condição, a Amazônia se destaca de forma negativa, segundo o relatório “Ilegalidade e Violência na Amazônia” da Amazônia 2030, o anúncio é claro: “a Amazônia é hoje uma das regiões mais violentas do Brasil.” Ainda, de acordo com o estudo, “em 2019, 4 dentre os 10 e 23 dentre os 100 municípios mais violentos do país pertenciam à região”.

A tomada da Amazônia, de modo geral, pela violência em todas as modalidades, é no mínimo decepcionante, e afasta o território nacional de um futuro promissor. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no 16° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado no dia 28 de junho deste ano, a taxa de violência letal na Amazônia Legal é 38% superior à média nacional.

Ainda, dentro desse panorama colaborando com essa perspectiva e possíveis hipóteses, de acordo com dados do Conselho Militar Internacional, o documento “Clima e segurança no Brasil” de 2020 apontou a relação entre o desmatamento e outras formas de atividade ilegal como uma associação perigosa e de rápido crescimento, isto é, o desmatar de forma desgovernada tem a capacidade de atrair outros tipos de atrocidades.  

Diante desse cenário, se torna evidente que todas essas questões trilham um caminho dificultoso no que diz respeito à segurança, e ainda, por vezes inviabilizam o desenvolvimento sustentável da região, sobretudo na Amazônia. Além disso, minam a visão internacional a respeito do país, afastando investimentos. Ainda, tais condições extenuantes colocam a população em risco. Dessa forma, ficam os questionamentos de como buscar estratégias para reverter esse quadro.

Para tanto, torna-se necessário esmiuçar cada vertente do que acontece na região, trabalhando em prol da dissolução da violência. Sendo necessário solucionar as raízes dos problemas, com a intenção de que a Amazônia Legal seja referência em todos os aspectos, da economia à segurança, do cuidado ambiental ao zelo com a população, para que, por fim, esse cenário tão hostil se torne uma realidade distante.  

O voto pela Amazônia é fundamental nas eleições de 2022, pois ao escolher candidatos que priorizam legendas verdes e que apoiam as instituições que fiscalizam a floresta, torna-se possível manter a Amazônia de pé, gerar lucro de forma sustentável e contribuir com a qualidade de vida do povo brasileiro em diversos níveis.

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